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Abstract:
Um em cada 10 casais que coabitam em Moçambique são discordantes, isto é, um é seropositivo
enquanto o outro é seronegativo. Nos últimos anos, tem aumentado o interesse na propagação do HIV em
parceiros sexuais com relações estáveis. Informação colhida pelo INSIDA em 2009, sobre o estado serológico,
comportamentos de riscos e outras características de fundo, permitiu a identificação de casais que coabitam para
serem combinados e analisados em conjunto. Esta investigação tem dois objectivos complementares: (1)
Estimar o número de casais discordantes em Moçambique e fornecer informação útil sobre esses casais (2)
identificar factores que poderão ajudar a proteger o parceiro seronegativo de se tornar infectado. O relatório
inclui uma discussão sobre como a ficha de dados dos casais é criada e a sua representatividade na população de
casais que coabitam em Moçambique, dados sobre a distribuição de casais de acordo com o seu estado
serológico e estimativas sobre o número de casais discordantes em Moçambique e modelos multivariados para
identificar factores associados com a discordância.
A ficha dos casais foi criada a partir da base de dados do INSIDA 2009 de respondentes masculinos e
femininos com idade entre 15-64 anos. A ficha inclui casais coabitantes, isto é casais em que marido e mulher
vivem juntos na mesma casa.1 Esta investigação inclui todos os casais que coabitam em que o marido e mulher
foram combinados com sucesso e para os quais havia informação disponível de ambos membros do casal para a
entrevista individual e teste de HIV, um total de 2,490 casais não ponderados (2,640 pesados). Os casais
incluídos foram achados como representativos de todos os homens e mulheres que na base de dados principal do
INSIDA reportaram que eram casados2 no que diz respeito às principais variáveis demográficas e o estado
serológico.
Em 2009, existiam cerca de 433,000 casais discordantes em Moçambique. Um terço de todos os
indivíduos seropositivos com idade entre 15-64 anos eram casados com alguém não-infectado, sugerindo que a
discordância pode ter sido responsável por uma percentagem substancial de todas as novas infecções pelo HIV.
Em 51 por cento de casais discordantes nenhum dos membros tinha sido testado para o HIV e recebeu
resultados, e pelo menos 85 por cento dos casais que são discordantes não o sabem, variando de 77 por cento na
região sul (províncias de Maputo, Gaza e Inhambane) a 98 por cento na região norte (províncias de Nampula,
Cabo Delgado e Niassa). Onze por cento de casais discordantes em que a mulher é seropositiva usou
preservativo na última vez que tiveram relações sexuais entre sí comparado com apenas um por cento dos casais
discordantes em que o homem é o membro seropositivo.
Resultados da análise de regressão logística multinomial, mostram que factores associados com a
transmissão da mulher para o homem num casal diferem de factores associados com a transmissão do homem
para a mulher. Em ambos modelos de regressão logística binomial e multinomial, casais em que nenhum
membro teve uma ITS no ano passado tem mais probabilidade de serem discordantes do que casais em que um
dos membros já teve uma ITS. Apesar da natureza transversal dos dados não permitir a determinação de
causalidade, estes achados são consistentes com a associação estatisticamente significante entre a presença de
uma ITS e o aumento do risco de transmissão do HIV no seio dos casais discordantes.
Casais discordantes são uma população importante em risco de novas infecções de HIV em
Moçambique devido ao tamanho da população, tal como calculado neste relatório, e o elevado risco de
transmissão de um cônjuge para o outro como demonstra a literatura científica revista neste relatório sobre a
incidência do HIV entre os casais discordantes. O conhecimento do seu seroestado e uso do preservativo entre
os casais discordantes é baixo. As principais recomendações incluem o aumento da consciência sobre a
serodiscordância, aumento da demanda para, e acesso ao, aconselhamento e testagem do HIV para os casais, e
fortalecimento do rastreio e vigilância das ITS’s.